O que tô gostando muito desse projeto é o fato dele ser muito de experimentação, tanto de narrativa, estilo e também de materiais.

Na história eu coloquei uma justificativa para ficar mudando de estilo o tempo todo, então a cada página que sigo se torna um novo desafio. Mesmo sendo só preto no branco, pude explorar diferentes formas e combinações que geram resultados interessantes, desde diferenças entre papéis, tintas, canetas, pincéis, retículas, texturas, e até no digital.

 

No início da nossa trajetória como desenhista, a gente começa usando materiais mais baratos, como papel sulfite, lapizeira e caneta unipin, mas com o passar do tempo vemos possibilidades e limitações que nos forçam a expandir essas mídias. Comigo foi assim e ainda é o tempo todo, não só nesse projeto. Um papel que aguenta mais água, um pincel, bicos de penas, nanquim puro ou aguado. Não que os materiais devem ser mais caros ou coisa do tipo, mas é mais a questão de ter um leque de opções maior.

Gosto de ver que cada material escolhido tem uma forte influência no resultado final, não só do acabamento, mas até do desenho base, proporções. Tem hora que gosto de usar lapizeira. Tem hora que usar um lápis HB deixa o desenho mais solto e fluído. Outra hora parto direto para a caneta sem o uso do lápis. Teve até páginas que desenhei com minha mão esquerda.

 

Nesse projeto, tento explorar ao máximo essas diferenças, para que fique claro que o estilo mudou e que estamos num novo momento. As primeiras páginas foram mais tranquilas: comecei com nanquim puro com pincel, bem preto mesmo, e em outro momento fui para o nanquim aguado, cinzinha, outra hora foi usar lápis para a arte-final, em outra misturo nanquim puro e nanquim aguado.

 

 

Mas aí depois de um tempo comecei a ter que quebrar a cabeça, mudando o coisas como estilo de desenho, dentro do mesmo material, ou buscar materiais novos que para mim não eram tão óbvios ou que nunca tinha usado.

 

E a coisa só vai piorando, porque bato o pé para não repetir algum estilo ou material que já foi, mas essa escolha está cada vez mais difícil de manter, já que as opções vão acabando.